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Por que as tecnologias não são adotadas?

Por Claudio Gaspari
Já faz algum tempo que o Brasil está inserido definitivamente no cenário científico mundial. Existem hoje no país centros de pesquisa e empresas brasileiras desenvolvendo tecnologia de ponta nas mais diversas aplicações.
Na área de segurança, o Brasil já dispõe do que existe de mais avançado mundialmente em termos de prevenção de desastres naturais, seja no que se refere a sensoriamento sísmico, meteorologia ou até mesmo na utilização de imagens para o controle de barragens de grande, médio e pequeno porte, além do monitoramento dos leitos dos rios, represas, açudes, várzeas e até mesmo de encostas e morros.
Falando especificamente sobre a utilização da imagem como ferramenta de prevenção, detecção e reação às enchentes, podemos dizer que já existem sistemas 100% nacionais à disposição do poder público que certamente ajudariam a diminuir muito os prejuízos e, principalmente, as mortes causadas no Brasil por esse tipo de fenômeno.
Esses sistemas são simples e baratos, compostos basicamente por boias que, fazendo o papel de sensores, conseguem medir com precisão as variações de profundidade e vazão de rios, barragens e represas.
Esses sensores trabalham em conjunto com sistemas de câmeras de alta definição capazes de fazer imagens tanto durante o dia quanto à noite e que são transmitidas via internet utilizando-se banda larga e nos sistemas mais modernos, sinal de celular por redes GPRS, EDGE e 3G.
Os dados obtidos pelos sensores, aliados às imagens recebidas, darão um panorama preciso e imediato do nível de perigo enfrentado e, por meio do próprio equipamento, diversas ações remotas, preventivas e reativas podem ser tomadas como a abertura ou o fechamento de comportas, o acionamento de sirenes de emergência para alertar a população que vive em áreas de risco, além da disponibilização das imagens e dados também pela internet para o comando dos órgãos especializados nesse tipo de ocorrência, como os Bombeiros e a Defesa Civil.
Se esses recursos, além de serem baratos, já estão à disposição do poder público há alguns anos, por que ainda não foram implantados em larga escala no Brasil?
Bem, a meu ver não existe uma única explicação para isso, mas sim um conjunto de fatores negativos que somados acabam por dificultar esse processo, começando pela falta de profissionais qualificados nos quadros para auxiliar o governo na busca e implementação dessas novas tecnologias seja na esfera federal, estadual e, principalmente municipal, culminando com uma legislação antiquada e excessivamente lenta no que diz respeito à contratação pública de serviços, que muitas vezes acaba por desmotivar o governo a buscar novidades tecnológicas baseando-se apenas em soluções já conhecidas e balizadas em concorrências anteriores, porém de pouco ou nenhum efeito prático.
Isso observei na cidade de São Paulo, onde, em 2008, participei da implementação de um sistema de monitoramento dos piscinões em regime de teste.
E, apesar dos resultados considerados excelentes pela administração municipal, até hoje, dois anos e duas enchentes depois, a licitação para a contratação ainda não foi realizada.
Fonte: Brasil Econômico